O chefe da diplomacia brasileira, Mauro Vieira, cumpriu agenda oficial no Sudoeste Asiático no período de 7 a 10 de setembro. O roteiro teve duas missões bem claras: destravar a entrada da carne nacional na Tailândia e conseguir para o país o cobiçado posto de Parceiro de Diálogo Pleno junto à Associação de Nações do Sudeste Asiático, a Asean.

Avanço no comércio com a Ásia

Atualmente, o Brasil já carrega o título de parceiro de diálogo setorial, conquistado em 2022. O objetivo agora é subir de patamar na relação com a Asean, que hoje representa o quinto maior mercado parceiro comercial do país. Historicamente, os números impressionam: o fluxo comercial entre o Brasil e as nações do bloco disparou dez vezes entre 2003 e 2025, saltando de US$ 3 bilhões para expressivos US$ 38 bilhões. Vale destacar que apenas 12 governos ou blocos globais detêm o status pleno pretendido, e nenhum deles pertence à América Latina.

Passagem por Singapura

A turnê diplomática deu o pontapé inicial em Singapura. Por lá, o ministro brasileiro se encontrou com o ministro de relações exteriores Vivian Balakrishnan, além de executivos de cerca de 20 companhias dos dois territórios. Singapura consolida-se como o segundo principal parceiro comercial brasileiro em solo asiático, movimentando US$ 10,7 bilhões em 2025. Durante os encontros, a comitiva defendeu a integração brasileira na Asean sob o argumento de que o país mantém portas abertas para todas as nações do planeta. Convém lembrar que, em agosto, entrou em vigor o acordo de livre comércio firmado entre o Mercosul e Singapura.

Missão na Tailândia

Na sequência, a viagem rumou para a Tailândia, com paradas em Bangkok para reuniões com ministros e lideranças empresariais locais. A meta principal por lá é reverter o embargo imposto ao setor de carne brasileira, barrado no mercado tailandês desde 2024. As conversas também miram cooperações em tecnologia, investimentos, ciência e segurança alimentar. Para pavimentar o terreno, o chanceler Mauro Vieira assinou um artigo veiculado no jornal Bangkok Post, reforçando os laços diplomáticos e econômicos bilaterais, cujo fluxo financeiro atingiu US$ 5,7 bilhões em 2025.