Homens diagnosticados com câncer de mama costumam descobrir a doença em estágios mais avançados do que as mulheres, conforme alerta divulgado pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT). O levantamento nacional mostra que entre 2020 e 2023 foram contabilizados 163 mil registros de câncer de mama, sendo que 1,30% deles ocorreram em pacientes do sexo masculino.

O que aconteceu

Entre os homens com estadiamento registrado no período, 16,82% estavam no estágio 0; 3,41% no I; 17,48% no II; 32,34% no III; e 29,95% no IV. No comparativo com o público feminino, 12,78% dos casos de mulheres estavam no estágio 0; 5,45% no I; 20,20% no II; 35,15% no III; e 26,42% no IV.

Os dados revelam que os estágios III e IV concentraram 62,29% dos diagnósticos entre os homens e 61,57% entre as mulheres. A disparidade mais expressiva ocorre no estágio IV, caracterizado pela presença de metástase, identificado em 29,95% dos casos masculinos e em 26,42% dos femininos.

Especialistas apontam que a maior concentração de casos graves entre os homens decorre da falta de informação de que o público masculino também pode desenvolver a doença. Por esse motivo, muitos demoram a buscar avaliação médica ao notar alterações na região torácica. Como o tecido mamário masculino é reduzido, o tumor pode alcançar estruturas vizinhas, como pele e músculos, mesmo quando apresenta dimensões pequenas. O surgimento de caroços, modificações no mamilo ou secreções, em especial com presença de sangue, requer investigação imediata.

Em relação aos tratamentos, a cirurgia é o procedimento inicial padrão para casos localizados tanto em homens quanto em mulheres, podendo ser combinada com quimioterapia, terapia hormonal e radioterapia conforme as características do tumor. A radioterapia atua na diminuição do risco de retorno da enfermidade na área operada. Adicionalmente, um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) avaliou cerca de 118 mil mulheres diagnosticadas entre 2020 e 2023, indicando que 14,4% das pacientes de até 39 anos descobriram o problema nos estágios 0 ou I, enquanto 85,6% obtiveram o diagnóstico nos estágios II, III ou IV.