O mercado de celulares subtraídos no país movimenta uma cadeia criminosa complexa que vai desde a revenda ilegal em sites de compras até o uso dos dados das vítimas para fraudes financeiras. Com uma média de quase 100 aparelhos levados por hora em todo o território nacional, a compra de um smartphone sem procedência segura pode resultar em intimações policiais e risco de acusação por receptação.

O que aconteceu

Levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que 830 mil celulares foram subtraídos ao longo de 2025 no Brasil. A taxa nacional é de 371,2 casos para cada 100 mil habitantes, com predominância de furtos, que representam 60% das ocorrências concentradas principalmente nos grandes centros urbanos. Dez unidades da Federação lideram as maiores taxas: Amazonas, Amapá, Pará, Pernambuco, Distrito Federal, Rondônia, São Paulo, Maranhão, Espírito Santo e Bahia.

Após a retirada do aparelho do proprietário, o destino varia. O secretário Nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas Costa Veloso, aponta que os telefones podem ser utilizados para fraudes financeiras, acesso indevido a serviços, permuta por drogas, escoamento para outros países ou comercialização em plataformas de comércio eletrônico. Milhares de cidadãos já foram notificados por autoridades policiais para devolver aparelhos identificados como produtos de crime, sob pena de responsabilização criminal.

[Os celulares também podem] ser utilizados para fraudes financeiras, acesso indevido a serviços e comprometimento de dados e identidades digitais

Especialistas alertam que o principal atrativo para os criminosos não é apenas o valor de revenda do equipamento, mas o acesso imediato a aplicativos bancários, redes sociais e informações sensíveis armazenadas, o que amplia o prejuízo para a vítima.