Dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que quase 65% dos municípios brasileiros registram índices de imunização contra o sarampo abaixo do patamar considerado ideal. O levantamento, que abrange o período de janeiro a agosto de 2026, aponta que 3.589 cidades ficaram com média inferior a 95% na aplicação da segunda dose da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola.
O que aconteceu
Enquanto a primeira dose aplicada em crianças de até um ano alcançou 94,66% de cobertura nacional — índice avaliado como ótimo —, a segunda dose registrou 79,78%, ficando distante da meta estipulada pelo governo. O cenário nacional é marcado por contrastes entre regiões. Entre os municípios, Adelândia (GO) superou 100% de média, enquanto Serra Azul (SP) registrou o pior desempenho, com apenas 6,78%. Fevereiro de 2026 consolidou-se como o mês de menor adesão, com média de 82,70%.
Entre as capitais, Curitiba (PR) liderou com cobertura acima de 95%, ao passo que Belém (PA) marcou a menor média, com 79,29%. O histórico oficial demonstra que a segunda dose da tríplice viral é um desafio contínuo, tendo atingido o índice máximo de 81,55% em 2019 e despencado para 53,20% em 2021, durante a pandemia de Covid-19.
No contexto internacional, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou que Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos no continente. Embora o Brasil esteja livre da circulação endêmica, o país contabilizou 52 casos importados até o dia 5 de outubro de 2026, distribuídos entre São Paulo (41), Amazonas (10) e Rio de Janeiro (1), sem registro de óbitos. A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo destacou que 90,2% dos infectados no estado não haviam sido vacinados ou estavam com o esquema incompleto.
Como se proteger
A vacina tríplice viral é disponibilizada gratuitamente nas redes municipais de saúde de todo o país. O esquema recomendado prevê a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda dose aos 15 meses. O imunizante também é recomendado para adolescentes e adultos que não foram vacinados anteriormente, além de profissionais da área da saúde. A aplicação exige apenas duas doses ao longo de toda a vida.







