O aquecimento das águas superficiais no Pacífico equatorial, conhecido como El Niño, vem provocando uma série de estragos climáticos ao redor do planeta, com secas severas na América do Sul e chuvas torrenciais na Ásia. O cenário global acende alertas para a segurança alimentar, com projeções de impacto direto no custo de produtos essenciais.
O que aconteceu
De acordo com dados do Banco Mundial e de instituições de pesquisa, os efeitos do fenômeno ameaçam as colheitas de arroz, café, cacau, trigo e milho em diversas regiões. A projeção indica que os preços dos alimentos podem subir até 18% entre 2025 e 2027, impulsionados pelas dificuldades de abastecimento e pelas perdas nas lavouras. O Climate Impact Lab aponta que centenas de milhares de mortes já foram associadas a esta ocorrência do fenômeno climático desde junho.
Na América do Sul, a Bolívia decretou estado de emergência para enfrentar secas severas que afetam dezenas de milhares de famílias e provocaram a perda de cabeças de gado. No Peru, as altas temperaturas intensificaram incêndios florestais e a propagação de doenças. Já na Ásia, ciclones e chuvas extremas atingiram o litoral da Índia e se deslocaram para o Nepal, causando evacuações em massa e danos à infraestrutura local.
Especialistas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertam que culturas básicas que fornecem a maior parte das calorias para populações vulneráveis estão sob risco. A redução de chuvas na Ásia afeta a produção de arroz, enquanto o milho e o feijão enfrentam ameaças na América Central, no México e no sul da África. Culturas voltadas à exportação, como cacau e café, também sofrem com a alternância entre excesso e escassez de água.







