A cidade de Guarulhos foi palco recentemente de uma iniciativa voltada para a integração artística e cultural. Um workshop de discotecagem totalmente gratuito reuniu cidadãos com deficiência visual e auditiva para uma imersão completa no universo da mixagem sonora e no manuseio de equipamentos profissionais.

Inclusão através da música e da prática

A realização do evento ficou a cargo da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão. O comando da capacitação foi entregue a um casal de profissionais da música com deficiência visual, amplamente conhecido por passagens em grandes eventos do município, que compartilharam suas histórias de superação e conhecimento técnico com os presentes.

Durante o encontro, os alunos tiveram a chance de interagir diretamente com as mesas de som, compreendendo as nuances da profissão de DJ e as técnicas necessárias para a execução de mixagens. O formato permitiu que o público superasse barreiras e tivesse contato direto com tecnologias e instrumentos sonoros.

Pioneirismo e trajetória no comando das picapes

Entre os instrutores, a presença feminina destacou-se por um marco histórico: uma das profissionais é cega congênita e ostenta o título de pioneira ao frequentar uma formação tradicional para DJs no final da década de 1990, acumulando passagens por palcos de relevância como a Virada Cultural Inclusiva e a Balada Inclusiva.

O colega de profissão e companheiro de projeto perdeu a visão na infância e construiu sua carreira de forma autodidata, chegando a fundar o pioneiro curso de discotecagem voltado para pessoas cegas no país, além de adaptar softwares da área com recursos de acessibilidade.

Aprovado pelos participantes

A programação agradou o público presente. Um dos alunos, um homem de 33 anos com deficiência auditiva, esteve no local acompanhado por uma profissional de interpretação de Libras. O participante, que já toca saxofone e estuda violão, aprovou a experiência com os equipamentos.

Outro aluno, um homem de 36 anos atuante na área de audiodescrição, buscou o evento para agregar bagagem profissional. Para ele, iniciativas que trazem novos horizontes e geram repertório são fundamentais para o desenvolvimento de quem possui algum tipo de deficiência.