As taxas de juros elevadas representam o principal obstáculo para o acesso ao crédito nas indústrias brasileiras, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria. O cenário afeta o planejamento financeiro das empresas, que encontram sérias dificuldades para obter recursos tanto para capital de giro quanto para investimentos de longo prazo em âmbito nacional.

O que aconteceu

O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais de todo o país, sendo 692 de pequeno porte, 612 médias e 397 de grande porte, entre os dias 3 e 12 de agosto, avaliando o cenário enfrentado entre fevereiro e julho. Entre os empreendimentos que relataram barreiras para conseguir financiamentos de curto ou médio prazo, 76% apontaram os juros elevados como o principal fator impeditivo.

Nas operações voltadas ao longo prazo, com prazos de vencimento superiores a cinco anos, o peso das taxas de juros foi destacado por 69% dos empresários consultados. Além do custo financeiro, outras exigências do mercado de crédito dificultam a obtenção de recursos. As exigências de garantias reais apareceram como o segundo maior entrave, citadas por 33,4% nas operações de curto e médio prazo e por 31,5% nos financiamentos de longo prazo.

A burocracia interna das instituições financeiras foi mencionada por 13,6% dos empresários nas linhas de menor prazo. Já no crédito de longo prazo, a segunda maior dificuldade apontada foi a insuficiência do prazo de carência, citada por 18,9% da amostra.

O estudo também mapeou a taxa de frustração das companhias. Quase metade das empresas industriais, o equivalente a 49,9%, optou por não tentar contratar ou renovar empréstimos de curto ou médio prazo no período avaliado. Apenas 22,9% conseguiram efetivar a contratação ou renovação, enquanto 7,5% buscaram os recursos mas não obtiveram sucesso. No segmento de longo prazo, 54% não procuraram financiamento, 15,5% obtiveram êxito e 9,2% tentaram sem conseguir a liberação. Considerando apenas o grupo que efetivamente foi atrás de crédito, a taxa de frustração apresentou alta na comparação com o ano anterior.