Um levantamento científico realizado na cidade de São Paulo encontrou vestígios de fentanil na saliva de quase um terço dos participantes que relataram o consumo de canabinoides sintéticos, conhecidos popularmente como K2 ou K9. O alerta reforça a necessidade de atenção para os riscos associados a essas substâncias no estado.

O que aconteceu

A pesquisa, divulgada em setembro de 2026 e publicada na revista científica Drug and Alcohol, analisou 65 voluntários atendidos em serviços de tratamento de dependência química e atenção psicossocial. Todos os participantes informaram ter consumido canabinoides sintéticos nos quatro dias anteriores às entrevistas.

Os testes apontaram que 69% das amostras coletadas apresentaram resultados positivos para ao menos uma substância. O fentanil foi detectado especificamente em 32% dos voluntários, um dado que chama a atenção porque nenhum deles relatou o uso intencional da substância ou de qualquer outro opioide.

Entre o perfil dos voluntários que participaram da análise, a maioria é composta por homens, representando 83%. O grupo também é formado majoritariamente por jovens entre 23 e 29 anos, sendo que 82% são solteiros, 63% estão desempregados e 68% não concluíram o ensino médio. Além disso, 42% das pessoas estavam em situação de rua ou em abrigos.

Os responsáveis pelo estudo destacam que a presença da substância em indivíduos sem histórico de consumo de opioides evidencia a necessidade de investigar a possível contaminação no fornecimento de entorpecentes na capital paulista. Historicamente, o Brasil registra índices reduzidos de consumo não médico de opioides quando comparado a países da América do Norte e da Europa.