O estado de São Paulo atingiu a marca de 38 anos sem registrar nenhuma ocorrência de poliomielite, condição também conhecida como paralisia infantil. A última confirmação em território paulista aconteceu no ano de 1988, na cidade de Teodoro Sampaio, localizada na região de Presidente Prudente. No Brasil, o último caso oficial foi contabilizado em 1989. Apesar do histórico positivo, autoridades de saúde reforçam o alerta para a necessidade de manter a guarda alta contra a doença.

O que aconteceu

A estabilidade nos números é fruto direto das campanhas nacionais de imunização iniciadas na década de 1980. Naquele período inicial, o estado paulista computou 101 casos da enfermidade, número que despencou para sete já no ano seguinte, representando uma queda de 93%. Contudo, o poliovírus selvagem continua em circulação ativa em nações como Afeganistão e Paquistão, enquanto surtos associados a outras cepas do vírus ocorrem em diferentes regiões do globo, mantendo o risco de reintrodução.

O sinal de alerta permanece ligado porque o estado ainda não alcançou a meta estipulada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que exige 95% de cobertura vacinal. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) referentes ao mês de agosto apontam que o índice ficou em 88,74% entre os menores de um ano, recuando para 84,51% no grupo que necessita do primeiro reforço.

Como se proteger

A única forma de prevenção eficaz é a imunização completa. Atualmente, o esquema de proteção contra a poliomielite utiliza cinco doses da vacina inativada contra a poliomielite (VIP). O calendário estabelece a aplicação da primeira dose aos 2 meses de idade, a segunda aos 4 meses e a terceiraos 6 meses. O primeiro reforço deve ser administrado aos 15 meses, seguido pelo segundo reforço aos 4 anos de idade.

Todas as doses previstas no calendário oficial estão disponíveis de forma totalmente gratuita para a população nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A transmissão do poliovírus ocorre por meio do contato direto com fezes ou secreções eliminadas pela boca de indivíduos infectados, sendo favorecida por condições precárias de saneamento básico, habitação inadequada e higiene pessoal deficitária.