Um levantamento divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, aponta que o conjunto de benefícios anunciado pelo governo federal já alcançou a marca de R$ 298,4 bilhões para o ano de 2026. O cenário acende o alerta para a necessidade de um ajuste fiscal robusto diante da deterioração gradual das contas públicas do país.
O que aconteceu
De acordo com os cálculos técnicos, as iniciativas possuem naturezas distintas. Do total estimado, a maior parte corresponde a recursos financeiros voltados para programas de crédito com juros subsidiados, somando R$ 185,7 bilhões em linhas como o financiamento para compra de automóveis e a ampliação de programas habitacionais. Embora sejam valores reembolsáveis, a prática gera um subsídio implícito — a diferença entre o custo de captação do Tesouro Nacional e a remuneração dos empréstimos —, o que eleva a dívida pública em R$ 10,2 bilhões a valor presente nas linhas criadas ou ampliadas a partir de 2024.
No caso das medidas com impacto primário direto nos cofres públicos, a conta atinge R$ 93,8 bilhões. Esse grupo engloba ações acumuladas ao longo do mandato, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda, subsídios aos combustíveis e a parceria com unidades de saúde privadas. Com a proximidade do período eleitoral, o ritmo de anúncios foi intensificado, incluindo reajustes em programas de transferência de renda e novas propostas, como o encaminhamento de uma emenda constitucional para estabelecer tarifa zero no transporte coletivo aos finais de semana, medida estimada entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões.
O pacote também contempla alterações voltadas aos microempreendedores individuais, como a ampliação do teto de faturamento de R$ 81 mil para R$ 140 mil, gerando um custo de R$ 8,1 bilhões em três anos. O perdão de débitos na dívida ativa da União representará impacto adicional de R$ 3 bilhões no mesmo período, enquanto a transferência direta conhecida como Pix MEI tem estimativa de gasto de R$ 5 bilhões em quatro anos.
O que fazer
Especialistas do setor econômico apontam que a dívida bruta do país, situada atualmente em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), está em trajetória ascendente impulsionada principalmente pelos juros. Para reverter o quadro e estabilizar o endividamento, o órgão fiscal reforça que é indispensável adotar medidas severas de controle no crescimento das despesas obrigatórias, revisar renúncias de receita e limitar gastos deduzidos da meta fiscal, em um ambiente externo considerado desfavorável e com margem reduzida para erros.







