Um levantamento divulgado nesta sexta-feira, 16, aponta que o programa Bolsa Família funcionou como o principal motor para a redução do trabalho infantil no Brasil entre 2024 e 2025. Os dados nacionais foram publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

O que aconteceu

De acordo com as informações oficiais, a diminuição do trabalho infantil nos domicílios que recebem o benefício foi de 20,1% no período de um ano. Esse índice representa 144 mil crianças e adolescentes a menos nessa condição. O total de menores nessa situação caiu de 717 mil em 2024 para 573 mil em 2025, concentrando mais de 95% da queda total registrada em todo o território nacional.

Considerando o panorama geral do país, o contingente de crianças e jovens em situação de trabalho infantil passou de 1,65 milhão em 2024 para 1,49 milhão em 2025, o que significa um recuo de 9,2% e atinge o menor patamar da série histórica iniciada em 2016.

A série histórica mostra que a retração nos lares atendidos pelo programa foi mais acentuada do que a média brasileira. Em 2016, 7,3% das crianças em famílias beneficiárias estavam em trabalho infantil, totalizando 971 mil pessoas, enquanto a taxa média do país era de 5,2%. Em 2025, essa proporção no grupo beneficiado caiu para 4,4%, aproximando-se da média geral da população, que ficou em 4,0%.

No acumulado entre 2016 e 2025, o trabalho infantil na população beneficiada registrou queda de 41,0%. O rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos lares com crianças que recebem o auxílio era de R$ 660 em 2025, valor que equivale a cerca de um terço da quantia registrada em domicílios não beneficiados com moradores de 5 a 17 anos, que foi de R$ 1.990.

O Bolsa Família pode ter contribuído para garantir uma renda mínima para essas famílias, além de ter condicionalidades relacionadas à frequência escolar. É algo que pode ter contribuído para essa queda

O levantamento também aponta reflexos positivos em indicadores sociais. A taxa de frequência escolar entre os trabalhadores infantis atendidos pelo programa atingiu 89,8%, superando a média geral de todas as crianças em situação de trabalho infantil no país, que foi de 86,9%. O índice chegou a 98,8% no recorte de 14 e 15 anos. Além disso, 34,2% dos beneficiários nessa situação realizavam exclusivamente a produção para o próprio consumo, como cultivo agrícola ou criação de animais para a própria residência, índice superior aos 23,9% observados no total nacional.