O comércio exterior brasileiro passa por uma fase de movimentações intensas para encontrar novos mercados e proteger setores estratégicos. Na quinta-feira, 27 de julho de 2024, o governo brasileiro formalizou um memorando de entendimento com a Índia em Brasília. O pacto foi selado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas, criando uma base institucional para atrair investimentos conjuntos e facilitar negócios.

Metas ambiciosas e impacto para Guarulhos

O documento prevê intercâmbio intenso de informações de mercado, compartilhamento de boas práticas, promoção de feiras setoriais e incentivo à internacionalização de pequenas e médias empresas. Embora o entendimento não gere obrigações vinculantes, a meta projetada é ambiciosa: alcançar um comércio bilateral de US$ 20 bilhões até o ano de 2030.

Os números mostram que o terreno é fértil. Em 2023, as exportações brasileiras para o território indiano bateram quase US$ 7 bilhões, o maior patamar em duas décadas. Já as importações de produtos indianos ultrapassaram os US$ 8,4 bilhões no mesmo período. A Índia ocupa atualmente a décima posição entre os destinos das vendas externas do Brasil, enquanto o país sul-americano é o 26º fornecedor do mercado indiano.

Para o setor produtivo local, a novidade traz expectativas reais. Empresas de Guarulhos e de toda a Grande São Paulo podem aproveitar a abertura de novos canais para exportadores regionais, especialmente fabricantes de autopeças e produtos químicos instalados na cidade.

Diversificação e minerais críticos

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços trata a ampliação das relações internacionais como uma diretriz federal crucial diante do cenário global. A ApexBrasil identificou 378 oportunidades para mercadorias nacionais no país asiático e apoia cerca de dez projetos estratégicos focados no mercado indiano, incluindo iniciativas com o agronegócio.

A Índia é um exemplo disto: a necessidade de alcançar novos mercados e a necessidade de expandir a relação comercial

A colaboração envolve segmentos fundamentais como indústria farmacêutica, bioenergia, biocombustíveis, fertilizantes e dispositivos médicos. O governo também discute parcerias na exploração de minerais críticos, desde que associadas ao desenvolvimento de tecnologia nacional.

O Brasil quer ter parceria para a exploração de minerais críticos com todos os países, nunca em detrimento de algum ou para favorecer outro

Negociação de tarifas com os Estados Unidos

Enquanto consolida a aproximação asiática, a diplomacia brasileira corre para destravar uma frente urgente no Ocidente. O governo prepara a primeira reunião com representantes dos Estados Unidos após a imposição de novas sobretaxas a produtos nacionais.

O reinício das tratativas ocorreu após conversa telefônica em meados de julho de 2024. Na próxima segunda-feira, 31 de julho de 2024, haverá uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com a participação do chanceler Mauro Vieira.

Empresas da região de Guarulhos que acabaram atingidas pelas tarifas acompanham o desenrolar das conversas, torcendo para que a articulação consiga mitigar os prejuízos e devolver a competitividade ao mercado externo.