Investidores que aplicaram no Tesouro IPCA+ com taxas elevadas no primeiro semestre enfrentam agora o dilema sobre a realização de lucros com a venda antecipada do ativo. Uma simulação recente demonstra o comportamento do rendimento bruto e líquido após 98 dias da aplicação inicial realizada no período de pico das taxas.

O que aconteceu

No mês de junho, o papel com vencimento em 2032 alcançou taxa recorde de 8,47% ao ano. A pedido do mercado financeiro, uma simulação avaliou a aplicação de R$ 10 mil feita naquele período e o cenário de resgate recente, com a taxa praticada a 7,68%.

Com o resgate bruto de R$ 10.672,52, registrou-se alta de 6,73%. Após o desconto de 22,5% referente ao Imposto de Renda para aplicações de até 180 dias e da taxa de custódia da B3, o valor líquido final ficou em R$ 10.515,66. O ganho líquido correspondente foi de 5,16%, o equivalente a 20,6% ao ano, superando o desempenho do CDI no período, que rendeu cerca de R$ 281 líquidos.

A análise indica que grande parte do ganho decorre da marcação a mercado, fenômeno em que a queda das taxas eleva o preço dos títulos emitidos anteriormente. Especialistas apontam que a alíquota máxima de imposto reduz o resultado, mas não o elimina, embora alertem para os riscos de operar sem uma estratégia clara de saída.

O que fazer

Especialistas recomendam que quem adquiriu o título com o objetivo de levá-lo até o vencimento em 2032 mantenha a posição na carteira. A realização antecipada é considerada coerente apenas em três situações específicas: surgimento de um objetivo imprevisto para o capital, necessidade de reequilíbrio da carteira quando a posição cresce além do peso desejado, ou identificação de uma alternativa com melhor relação de retorno ajustado ao risco.

Para novos investimentos, a orientação é contar com o carrego do juro real elevado e tratar eventuais ganhos de marcação a mercado como um resultado adicional, e não como o objetivo principal da operação, mantendo cautela diante de variáveis econômicas e fiscais que influenciam a curva de juros.