Moradores de Guarulhos que dependem de benefícios federais devem acompanhar com atenção os desdobramentos econômicos divulgados recentemente pela equipe econômica do governo federal. A informação de que houve uma folga nas despesas com a Previdência Social gerou alertas de especialistas da área econômica devido à aparente contradição com o volume de pedidos gerenciados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O que aconteceu
O diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, Marcus Pestana, avaliou como contraditória a notícia de que as despesas previdenciárias geraram uma folga de recursos ao mesmo tempo em que o governo aponta que a fila de espera para concessão de benefícios foi zerada. Essa fila havia superado 3 milhões de pedidos em fevereiro.
Na segunda-feira (21), o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo federal identificou um espaço fiscal de R$ 19,6 bilhões no orçamento deste ano. Esse montante permitiu um reajuste de 15,04% no programa Bolsa Família, anunciado na semana anterior.
Segundo a IFI, a queda mais substancial nas projeções de gastos ocorreu justamente nos benefícios previdenciários, com uma redução de R$ 11,5 bilhões. O governo também apontou retrações nas projeções de gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), despesas de pessoal e subsídios, além de contar com receitas ligadas ao setor petroleiro.
Apesar de o Ministério da Previdência utilizar critérios como o tempo médio de concessão de 34 dias em agosto e o fluxo de atendimento para afirmar que a fila está zerada, especialistas ponderam que o número de indeferimentos cresceu consideravelmente, o que pode fazer novos pedidos retornarem ao sistema em breve. A IFI estima que o superávit necessário para estabilizar a dívida pública e viabilizar a queda dos juros deveria alcançar 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a cerca de R$ 260 bilhões.
Temos que aguardar o relatório de avaliação de receitas e despesas primárias que sai esta semana. Mas o que importa estrategicamente é que fica esse bolero ‘são dois pra lá, dois pra cá’, mas o resultado primário efetivo é muito distante do necessário para estabilizar a dívida e criar o ambiente para a queda dos juros.







