A contabilidade pública dos Estados Unidos acaba de bater um recorde indigesto ao ultrapassar a marca inédita de US$ 40 trilhões em endividamento. O cenário acende o sinal amarelo para analistas econômicos, que apontam uma mistura indigesta de cortes tributários direcionados aos mais ricos, despesas militares exorbitantes e turbulências geopolíticas como os principais motores dessa disparada fiscal.
Guerra, impostos e juros nas alturas
O buraco no orçamento americano não apareceu por acaso. Especialistas apontam que as políticas fiscais de redução de impostos para a parcela mais abastada da população drenaram receitas vitais. Ao mesmo tempo, a máquina militar consome quase US$ 1 trilhão anualmente, enquanto o custo com o pagamento de juros da própria dívida mais do que dobrou em comparação aos patamares de 2021, salgando o montante em US$ 1,1 trilhão.
Para piorar, conflitos no Oriente Médio encareceram os combustíveis e impulsionaram a inflação global. Medidas tarifárias e a incerteza gerada pela postura externa da Casa Branca também colaboraram para pressionar os juros cobrados pelos títulos do Tesouro norte-americano.
Calote descartado, mas com reflexos no Brasil
Mercado mantém confiança
Apesar do número astronômico, especialistas descartam qualquer risco iminente de quebra ou insolvência do governo ianque. Como os Estados Unidos emitem a própria moeda e o dólar reina como a principal reserva do mundo, o Banco Central americano tem margem de manobra para intervir e absorver títulos caso o mercado reaja mal, repetindo manobras de liquidez já vistas no passado.
A fatura dessa farra fiscal, no entanto, não fica restrita ao território norte-americano. A potência global joga pressão direta sobre a economia do Brasil, mantendo a perspectiva de taxas de juros elevadas por aqui. O montante devido pelo Tio Sam já equivale a cerca de 100% do PIB do país, patamar comparável apenas ao pico histórico de 106% registrado em 1946, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.
O ritmo do endividamento surpreendeu até mesmo órgãos oficiais. O Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA projetava alcançar a marca de US$ 40 trilhões somente em 2027, uma previsão que se provou totalmente furada diante da velocidade com que o buraco fiscal cresceu nos últimos meses.







