Amamentar costuma vir acompanhado de dúvidas, e uma das mais comuns é sobre a dor: até que ponto o desconforto é normal? Segundo especialistas, um leve incômodo nos primeiros dias pode acontecer, mas dor intensa não deveria fazer parte do processo.
O desconforto nos primeiros dias é relativamente comum, principalmente quando o bebê começa a mamar e a mama ainda está se adaptando. Mas é importante deixar uma mensagem clara: amamentar não deve ser um processo doloroso
A fala é do ginecologista e obstetra Wagner Hernandez, que atua em São Paulo. Ele explica que dor persistente ao longo da mamada, que piora com os dias ou vem acompanhada de machucados, costuma indicar pega inadequada do bebê.
O que causa as fissuras
O ginecologista e mastologista Alexandre Pupo Nogueira, do núcleo de mastologia do Hospital Sírio-Libanês, detalha que a maioria das fissuras surge quando o bebê suga apenas o mamilo, sem abocanhar boa parte da aréola — o atrito repetido favorece o surgimento de rachaduras. Posicionamento inadequado, frênulo lingual curto, uso incorreto da bomba de retirada de leite, candidíase e absorventes de seio úmidos por muito tempo também entram na lista de causas.
"O lábio do nenê fica um pouquinho projetado para fora, envolvendo toda a aréola, e a gengiva deve estar apoiada na aréola, e não no mamilo", orienta Nogueira sobre a pega correta.
Quando a mama incha ou inflama
Entre o terceiro e o quinto dia após o parto, período da descida do leite, é comum surgir ingurgitamento — mama cheia, endurecida e dolorida. Sem retirada adequada do leite, o quadro pode evoluir para mastite, com dor localizada, vermelhidão, calor e às vezes febre. "Nem toda mastite precisa de antibiótico, mas ela sempre merece avaliação médica", afirma Hernandez, que recomenda manter a amamentação ou o esvaziamento da mama mesmo nesses casos.
