Novas autoridades que assumirem cargos federais em 2027 terão um prazo reduzido de cerca de um ano para conter a escalada da dívida pública do Brasil e impedir que o indicador alcance novamente o recorde registrado durante a pandemia. A situação exige articulação severa entre os Três Poderes em um cenário de instabilidade institucional.

O que aconteceu

Conforme dados divulgados pelo Banco Central em agosto deste ano, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 82,86% do Produto Interno Bruto, o que representa R$ 11,1 trilhões. O crescimento verificado nos primeiros oito meses do ano foi o maior para o período desde 2020. Projeções de órgãos como o Ministério da Fazenda e instituições financeiras apontam que o indicador pode se aproximar ou atingir o patamar máximo de 87,6% do PIB até o final de 2027.

A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, indica que o cenário otimista prevê um pico de 85,8% em 2028 antes de uma possível trajetória de queda. No entanto, tal panorama depende de um ambiente econômico favorável, inflação controlada e cortes rigorosos. Caso contrário, cenários mais pessimistas projetam altas ainda mais expressivas nas contas públicas nas próximas décadas.

O que fazer

Especialistas apontam que a reversão do quadro fiscal nacional passa obrigatoriamente pela contenção de despesas obrigatórias da União. Entre as medidas debatidas para o primeiro ano do próximo mandato presidencial e parlamentar estão a imposição de limites a supersalários e emendas, corte de benefícios fiscais, reformas administrativa e previdenciária, além da revisão de regras de reajuste do salário mínimo e desvinculação de receitas.