Um novo levantamento divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) coloca o Brasil em posições desfavoráveis no cenário internacional quando o assunto é a valorização e a satisfação dos profissionais da educação. O estudo traz um panorama preocupante sobre as condições de trabalho nas salas de aula, apontando riscos para a retenção de talentos e para o futuro do ensino no país.
O que aconteceu
De acordo com os dados da OCDE, o Brasil ocupa a terceira posição entre os países com menos professores satisfeitos com suas condições gerais de trabalho, excluindo o salário, com apenas 44,3% dos profissionais contentes — índice bem abaixo da média internacional de 68,4%. Quando o foco é a remuneração, a situação é ainda mais crítica: apenas 22,3% dos educadores brasileiros se dizem satisfeitos, o quinto pior resultado do ranking.
O relatório também aponta que 10,3% dos professores do ensino fundamental e médio deixaram a profissão entre 2024 e 2025, índice que inclui desistências e aposentadorias. Outros 12,3% dos docentes na faixa etária entre 30 e 49 anos manifestaram intenção de abandonar a carreira nos próximos cinco anos. O estresse também tem aumentado: o percentual de educadores que relatam sofrer muito estresse no trabalho subiu de 13,6% para 20,9% entre 2018 e 2024, impulsionado por excesso de trabalho administrativo e problemas de indisciplina em sala de aula, relatados com frequência por 89,4% dos profissionais em 2024.
Além disso, apenas 63% dos professores brasileiros possuem emprego permanente, e somente 14,1% acreditam que a sociedade valoriza a profissão. O estudo destaca ainda que o Brasil investiu cerca de US$ 4,1 mil por estudante do ensino fundamental ao superior público em 2023, valor inferior a um terço da média registrada pelos países da OCDE.







