A tão discutida Proposta de Emenda Constitucional voltada para o fim da escala 6x1 e a consequente redução da jornada de trabalho sofreu um revés importante em Brasília. A votação que aconteceria no Senado precisou ser adiada nesta quarta-feira, dia 2, após uma atuação firme da oposição que conseguiu esvaziar o plenário e impedir o avanço da matéria.
Estratégia de obstrução e cálculo político
A base governista na Casa Legislativa optou por recuar para evitar uma derrota iminente. O motivo principal foi a clara falta de garantias quanto ao placar necessário para aprovar a medida. Diante da resistência articulada, a votação definitiva foi empurrada para o período posterior ao primeiro turno das eleições, marcado para o mês de outubro.
Apesar do forte apelo popular em torno do tema, o clima nos bastidores políticos segue tenso. O projeto mexe diretamente com os interesses corporativos e trabalhistas, gerando embates severos entre os parlamentares que defendem a flexibilização das leis e aqueles que apoiam a diminuição das horas trabalhadas sem perda salarial.
Resistência na CCJ e alternativa apresentada
Antes de chegar ao plenário, a proposta já havia passado pela Comissão de Constituição e Justiça de maneira simbólica. No entanto, o colegiado registrou quatro votos contrários ao texto original, vindos de um grupo específico de parlamentares que demonstraram total oposição ao modelo proposto pelo governo.
Como contrapartida ao projeto principal, a ala oposicionista articulou e apresentou uma alternativa formal. A ideia defendida por esse grupo é a preservação da atual escala 6x1, mantendo o limite de 44 horas semanais de trabalho. O texto alternativo sugere ainda que eventuais ajustes na remuneração por hora trabalhada sejam resolvidos por meio de negociação direta entre empregados e empregadores, retirando o peso regulatório do Estado.







