O governo federal arrecadou R$ 3,536 bilhões após a conclusão de duas sessões de leilões de áreas voltadas à exploração de petróleo e gás, realizados em regimes de concessão e partilha. Os certames foram conduzidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e atraíram a atenção de diversas petroleiras, com foco especial na expansão de fronteiras exploratórias no país.

O que aconteceu

A Petrobras destacou-se como protagonista ao arrematar 21 novas áreas, com maior concentração na Bacia de Campos, onde adquiriu sozinha 12 blocos e registrou um ágio de 3.523% em uma das regiões. Em parceria com a QatarEnergy, a estatal também garantiu sete blocos em águas ultraprofundas na Bacia do Ceará, integrante da Margem Equatorial. Além disso, a companhia levou duas áreas no pré-sal das bacias de Santos e Campos.

No 4º ciclo da oferta de partilha, sete dos 13 blocos oferecidos no pré-sal foram arrematados sem disputa. Mesmo sem concorrência direta, o ágio alcançou 494,64%, somando R$ 530,4 milhões em bônus de assinatura e prevendo investimentos de R$ 778,4 milhões na fase inicial de exploração. Na Bacia de Santos, a área de Cruzeiro do Sul ficou com a Petrobras, enquanto o consórcio Cnooc e Sinopec levou Jade, e a Equinor arrematou Rubi e o bloco Rodocrosita em parceria com a Galp.

Na Bacia de Campos, a Petrobras adquiriu Azurita, e a Prio arrematou Magnetita e Hematita. No 6º ciclo de concessão, a ANP ofertou 308 blocos e cinco áreas de acumulação marginal, resultando no arremate de 49 blocos. A previsão é de um aporte mínimo de R$ 1,582 bilhão para os próximos sete anos de exploração. Outras companhias, como a independente Aguila, Eneva, Origem Energia e Alvopetro, também arremataram áreas em diferentes regiões do país.

Os leilões ocorreram em meio a discussões sobre a abertura de novas fronteiras, como a Bacia de Pelotas (RS) e a Margem Equatorial. Representantes do governo e de órgãos reguladores apontaram que a arrecadação representa uma receita não prevista no Orçamento da União, reforçando a atratividade do setor energético brasileiro para empresas estrangeiras e nacionais.

Durante a realização dos leilões, manifestantes ligados a entidades ambientais, organizações da sociedade civil, comunidades indígenas e sindicatos realizaram um protesto em frente à sede da ANP, no Centro do Rio de Janeiro, contrários à exploração de petróleo em áreas ambientalmente sensíveis.