O setor produtivo nacional segue preso em uma maré de desânimo que parece não ter fim. Em setembro de 2023, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), despencou mais 1,4 ponto e estacionou em 44,9 pontos. Com esse resultado, a atividade industrial completa nada menos do que 21 meses seguidos abaixo da linha de corte de 50 pontos, marca que separa o otimismo da desesperança. Trata-se da sequência mais longa já vista na série histórica iniciada em 2015.

Retração generalizada nas fábricas

A bronca não é isolada. De acordo com o levantamento da entidade, a queda atingiu em cheio todos os componentes do indicador. Tanto a leitura sobre o momento atual quanto o humor em relação ao futuro azedaram. A avaliação da conjuntura do país afundou 3,6 pontos, despencando para 33 pontos, enquanto o termômetro das condições atuais caiu 2,5 pontos, indo para 40,2 pontos. O cenário macroeconômico segue pesando como chumbo sobre as decisões gerenciais.

As projeções para os próximos meses também murcharam. O Índice de Expectativas recuou para 47,2 pontos, puxado pela visão pessimista sobre a economia nacional, que passou de 39,7 para 39,1 pontos. Até mesmo a confiança direcionada estritamente aos próprios negócios encolheu 1 ponto, fechando a 51,3 pontos. Embora este último recorte ainda consiga se manter ligeiramente acima da linha divisória, a tendência de queda escancara a fragilidade do otimismo corporativo.

Impacto direto na economia regional

Para importantes polos produtivos da Grande São Paulo, como Guarulhos, a repetição desse cenário incômodo acende o sinal amarelo. O prolongamento da desconfiança sufoca o ímpeto de expansão das companhias locais. Na prática, o empresariado prefere segurar o caixa a correr riscos, o que significa frear novos aportes financeiros e congelar processos de contratação de mão de obra, travando o ritmo econômico da região.

A pesquisa do Icei referente a setembro de 2023 ouviu um total de 1.186 empresas em todo o país para captar o termômetro do setor. A base consultada contemplou 475 empresas de pequeno porte, 441 de médio porte e 270 de grande porte, assegurando a representatividade estatística necessária para o diagnóstico.