A corrida rumo à Câmara dos Federais encontrou no ambiente virtual seu principal palanque. Antes mesmo do pontapé inicial do horário eleitoral gratuito, marcado para o dia 28 de agosto, a internet já dita o ritmo da disputa política. O engajamento digital virou obsessão nos quartéis-generais de campanha, escancarando a dependência das plataformas para fisgar o eleitorado.
O domínio absoluto das redes
Dados fornecidos ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que 5.493 dos 7.679 aspirantes ao cargo de deputado federal elegeram o Instagram como o canal número um de comunicação, o equivalente a cerca de 72% do universo eleitoral. No total, foram declarados 5.973 perfis na plataforma de fotos e vídeos, com alguns políticos mantendo mais de uma conta ativa.
A preferência pelo aplicativo não elimina a concorrência de outras mídias. O Facebook aparece logo atrás com 4.342 contas vinculadas à disputa, seguido pelo TikTok com 1.928 perfis e pelo YouTube com 1.143. O antigo Twitter, atual X, abriga 859 páginas de campanha. Outras ferramentas como Threads, com 608, LinkedIn, com 221, e WhatsApp, com 142 registros, completam o mapa digital dos candidatos em menor escala.
Força partidária e desigualdade de alcance
Um mapeamento conduzido pela Agência Câmara de Notícias analisou 5.550 perfis e escancarou a disparidade na audiência das legendas. O Partido Liberal lidera com folga o ranking de seguidores acumulados, somando 10,5 milhões em 489 contas, lembrando que a contagem reflete o total somado por perfil e não usuários únicos. O Partido Social Democrático vem na sequência com 48,5 milhões, seguido pelo Movimento Democrático Brasileiro com 45,3 milhões e pelo Podemos, que acumula 41 milhões. Agremiações do campo progressista aparecem mais abaixo, com o Partido Trabalhista registrando cerca de 30 milhões de seguidores em 309 perfis.
A divisão desse público entre os candidatos é extremamente fragmentada. Apenas um seleto grupo de 118 concorrentes ultrapassa a marca individual de 1 milhão de seguidores, concentrando 289 milhões de conexões. Outros 595 candidatos navegam na faixa de 100 mil a 999 mil seguidores, enquanto 1.744 nomes reúnem de 10 mil a 99 mil adeptos. A base da pirâmide é formada por 2.844 aspirantes que patinam com menos de 10 mil seguidores.
O peso do Sudeste e Guarulhos
O mapa geográfico do engajamento aponta uma concentração massiva na região Sudeste. São Paulo puxa a fila com 196,8 milhões de seguidores distribuídos em 844 contas, reforçando o peso estratégico do estado. O Rio de Janeiro aparece com 63,6 milhões em 567 perfis, e Minas Gerais registra 61,5 milhões em 494 contas. Para quem vive em Guarulhos e na Grande São Paulo, essa vitrine digital massiva impacta diretamente na forma como as propostas estaduais chegam aos cidadãos.
Fora do eixo sudeste, o Ceará sobressai no Nordeste com 23,9 milhões de seguidores em 233 contas, seguido por Pernambuco com 22,3 milhões em 283 perfis. No Centro-Oeste, o Distrito Federal e Goiás somam 13,7 milhões em 134 contas e 13,2 milhões em 136 contas, respectivamente.
Legislação e regras para a web
A largada oficial da propaganda eleitoral na internet foi dada em 16 de agosto, impondo limites rígidos. É proibido veicular impulsionamento pago fora de regras estritas, assim como qualquer tipo de anúncio comercial convencional na rede. Os candidatos estão restritos a sites próprios, páginas partidárias e mensagens eletrônicas autorizadas.
A manifestação de eleitores identificáveis é permitida, mas sofre barreiras caso cruze a linha da ofensa à honra ou da divulgação de mentiras sabidas, dando poder à Justiça Eleitoral para ordenar a exclusão de conteúdos tóxicos. Além disso, materiais turbinados por inteligência artificial, sejam textos, áudios, vídeos ou imagens, exigem rotulagem explícita e destacada para combater a desinformação.







