Um levantamento divulgado nesta quinta-feira, 8, pelo Unicef aponta que mais de 30 milhões de crianças no Brasil estão expostas a dois ou mais riscos climáticos, como secas, calor extremo e inundações, o equivalente a seis em cada dez menores de idade no país. A análise chama atenção para o impacto desproporcional do fenômeno El Niño, previsto para o período entre 2026 e 2027, que tem potencial para intensificar eventos severos em território nacional.
O que aconteceu
De acordo com um boletim publicado no fim de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) em parceria com órgãos federais, há 95% de chance de que o El Niño atinja intensidade muito forte até o final do ano, com persistência mínima até o primeiro trimestre de 2027. O cenário projetado indica seca e risco de fogo no Centro-Norte, chuvas acima da média no Sul e temperaturas elevadas em quase todo o país.
O Unicef destaca que o organismo dos jovens atinge o estresse térmico com mais facilidade e que a exposição à poluição do ar pode comprometer os pulmões permanentemente. Além disso, eventos extremos provocam interrupções no calendário escolar, perda de dias de aula, suspensão da vacinação e comprometimento do acesso a água e alimentação. No último El Niño, em 2024, 1,17 milhão de crianças e adolescentes tiveram as aulas interrompidas no país, sendo 741 mil devido às enchentes no Rio Grande do Sul e 436 mil pela seca extrema na Amazônia.
Dados do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres indicam que cada US$ 1 investido em prevenção gera economia de até US$ 15 em recuperação. Entre as medidas recomendadas estão a implementação de reservatórios comunitários em áreas vulneráveis à seca, estocagem preventiva de alimentos e revisão de planos de contingência escolares. O marco legal brasileiro conta agora com a Lei nº 15.512/2026, sancionada em 22 de setembro pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que assegura o direito à natureza para crianças e adolescentes com absoluta prioridade e estimula adaptações climáticas nas escolas.
Há um desafio maior, de fato, de isso chegar no nível dos municípios, porque quem é responsável pela escola, pelo posto de saúde, pelo centro de referência da sede social, pela maior parte da infraestrutura essencial das cidades são os governos municipais. Ainda há uma adesão baixa desses governos a medidas de adaptação







