O impacto financeiro e emocional causado pelas plataformas de apostas online, conhecidas como bets, tornou-se motivo de grande preocupação para autoridades e especialistas em saúde. Dados recentes revelam que as famílias brasileiras acumularam perdas expressivas no setor, levantando alertas severos sobre o endividamento e os riscos associados ao vício em jogos no país.

O que aconteceu

Levantamentos indicam que apenas no ano passado as perdas financeiras das famílias com apostas alcançaram a marca de R$ 62,5 bilhões, montante equivalente a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. No mesmo período, as transações via Pix nas plataformas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões. A situação afetou diferentes faixas etárias, incluindo estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio, onde 20,4% dos alunos admitiram já ter realizado apostas pela internet.

O cenário de endividamento extremo gerou graves consequências para a saúde mental dos apostadores. Profissionais da área relataram casos de desesperança, alteração de comportamento, aumento no consumo de álcool e episódios de ideação suicida. Histórias de cidadãos que perderam bens materiais, empregos e o convívio familiar evidenciam a gravidade do vício. Um homem de 42 anos, por exemplo, relatou ter perdido casa, carro e emprego devido aos jogos ao longo de seis anos, necessitando de acompanhamento psiquiátrico com uso diário de medicação e participação em grupos terapêuticos em um Centro de Atenção Psicossocial.

No âmbito normativo, a Medida Provisória 1394 determinou a proibição das bets no país. A legislação anterior, aprovada em 2018, passou a vigorar somente em dezembro de 2023, permitindo um período de operação sem regras rígidas. A falta de cumprimento das exigências de avisos de desestímulo ao jogo contribuiu para o agravamento do problema. Como resposta, o Ministério da Saúde informou que intensificará as ações para identificar apostadores contumazes, disponibilizando suporte e tratamento especializado para os afetados.