Uma carga de 900 quilos de castanhas portuguesas vinda da Itália foi interceptada no Aeroporto Internacional de Guarulhos após agentes identificarem a presença de larvas da Cydia splendana, uma praga que não existe no território brasileiro e representa um risco fitossanitário grave para a produção agrícola.

O que aconteceu

A retenção dos produtos ocorreu após a inspeção realizada por equipes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), órgão responsável por fiscalizar mercadorias de origem vegetal e animal que ingressam no país. O carregamento desembarcou em solo brasileiro em 7 de outubro e passou por análises detalhadas devido à suspeita de contaminação.

O organismo interceptado é conhecido popularmente como bichado-da-castanha, traça-da-castanha ou mariposa-da-castanha. As larvas dessa espécie têm o hábito de perfurar a casca dos frutos e consumir a parte interna durante a fase de amadurecimento, o que provoca a queda prematura das unidades e afeta tanto o volume quanto a qualidade da colheita.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), além de atacar castanheiros, o inseto também pode atingir carvalhos, avelaneiras e nogueiras. A entrada e a proliferação dessa espécie no Brasil poderiam causar danos severos à economia dos produtores rurais, aumentar os gastos com defensivos agrícolas e provocar desequilíbrios na biodiversidade local.

Medidas de contenção

Como procedimento emergencial para conter o risco de propagação, o ministério ordenou a fumigação dos 900 quilos de alimentos utilizando brometo de metila, tratamento que foi executado em 16 de outubro. Após a conclusão deste processo sanitário, as autoridades definirão se a mercadoria será devolvida ao país de origem ou se passará por destruição total, conforme os protocolos estabelecidos para situações de interceptação de pragas quarentenárias.