Moradores que utilizam serviços de entrega por aplicativo devem ficar atentos a possíveis reajustes nos valores dos pedidos nos próximos meses. A discussão sobre a regulamentação federal da atividade ganhou novos capítulos após pronunciamento oficial de executivos do setor, que alertam para a possibilidade de repasse de custos operacionais caso as diretrizes finais tragam impactos financeiros para as empresas.

O que aconteceu

Durante entrevista concedida a veículos de imprensa, o vice-presidente jurídico da plataforma iFood, Lucas Piottini, afirmou que a companhia apoia a criação de normas para a categoria, mas ponderou que o desenho final das alíquotas e obrigações poderá elevar os gastos gerais. Segundo o representante, a expectativa inicial é tentar absorver parte dos valores, embora o repasse para o consumidor não esteja totalmente descartado.

O executivo destacou que a regulamentação precisa equilibrar dois pilares principais: a autonomia e a flexibilidade do trabalhador, além de estabelecer diretrizes claras de remuneração. A proposta defendida pela empresa utiliza o salário mínimo como referência para definir os pisos de pagamento a serem observados por todas as plataformas do mercado nacional.

Além do debate regulatório, a empresa abordou questões concorrenciais do mercado de delivery brasileiro. Em 31 de agosto, foi protocolada uma representação formal junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) solicitando a abertura de processo administrativo contra a concorrente Keeta, sob a alegação de práticas comerciais predatórias e uso de descontos transitórios insustentáveis para o setor.

Em nota oficial, a Keeta rebateu as acusações e classificou a movimentação como uma estratégia para manter a posição dominante no mercado nacional, afirmando que a atuação da concorrente busca bloquear a entrada de novas tecnologias e experiências internacionais no país.