investidores que aplicam em certificados de recebíveis imobiliários, conhecidos como cris, devem redobrar a atenção para a dinâmica do mercado financeiro nacional. um levantamento recente apontou que esses papéis ficaram para trás no movimento de queda das taxas de juros registrado no mercado logo após o primeiro turno das eleições, exigindo cautela na análise de rentabilidade e prazos.

o que aconteceu

de acordo com o estudo realizado entre os dias 2 e 9 de outubro, as taxas dos cris atrelados à inflação recuaram apenas 24 pontos centesimais. em comparação, as debêntures de infraestrutura registraram queda de 66 pontos, enquanto os certificados de recebíveis do agronegócio, os cras, apresentaram redução de 57 pontos no mesmo período.

o movimento provocou uma ampliação na diferença entre as taxas desses ativos e as dos títulos públicos de referência. nos cris, os spreads aumentaram 57 pontos no intervalo analisado, marca que supera em mais de três vezes os 18 pontos observados nas debêntures de infraestrutura. nos cras, a abertura foi de 30 pontos.

especialistas apontam que a divergência não se justifica apenas pelos prazos dos papéis. cris e cras possuem prazos médios semelhantes, próximos de 790 dias úteis. mesmo ao filtrar títulos com duration entre 500 e 999 dias úteis, as taxas dos cris caíram apenas 12 pontos, contra 49 pontos nos cras e 67 pontos nas debêntures de infraestrutura.

o comportamento reflete principalmente a menor liquidez dos títulos de securitização e a lentidão na atualização de seus preços. enquanto os títulos públicos reagem de forma imediata às oscilações das expectativas do mercado, os cris contam com menor frequência de negociação, o que retarda o ajuste das taxas. por sua vez, as debêntures contam com fundos de investimento que respondem com maior rapidez às curvas de juros.

a pesquisa ressalta que essa abertura nos spreads não indica necessariamente uma piora no risco de crédito, uma vez que as taxas nominais dos papéis privados também diminuíram. a análise teve como base os negócios registrados na b3, utilizando dados de taxas e spreads apurados entre as mesmas datas de outubro.