as transformações demográficas e o aumento da expectativa de vida no país colocam em alerta a sustentabilidade do modelo tradicional de previdência social. o avanço da transição demográfica e a redução na taxa de natalidade indicam um esgotamento do sistema atual, exigindo que os trabalhadores comecem a planejar a aposentadoria e a acumular capital desde o início da trajetória profissional.

o que aconteceu

o debate ocorreu durante o xiifórum nacional de seguro de vida e previdência privada, realizado pela federação nacional de vida e previdência na quarta-feira (16). especialistas apontaram que a garantia de estabilidade financeira na velhice não dependerá de novas reformas pontuais no sistema público, mas sim da migração para um modelo centrado na previdência privada e na formação de capital individual.

segundo levantamento apresentado no evento, em 1980 o brasil contava com quatro contribuintes ativos para sustentar o benefício de cada idoso aposentado. atualmente, essa proporção caiu para 1,8 trabalhador por beneficiário, com projeções de alcançar a marca crítica de 1,5 até o ano de 2032. ao mesmo tempo, a expectativa de vida aos 60 anos subiu para mais 22 anos de sobrevida, elevando o custo de manutenção no sistema público em cerca de 40%.

especialistas ressaltaram que o sistema público de previdência custa cerca de r$ 1 trilhão por ano e gera um déficit estrutural entre 3,5% e 4% do produto interno bruto (pib). enquanto a falta de cobertura no regime geral equivale a r$ 9.000 por contribuinte, o déficit no regime dos servidores públicos civis chega a r$ 70.000 por pessoa, alcança r$ 130.000 entre militares e atinge r$ 270.000 no regime dos servidores do distrito federal.

como se proteger

para as novas gerações que estão entrando no mercado de trabalho, a orientação é buscar clareza sobre a situação fiscal do país e investir em previdência privada por capitalização. o modelo consiste em acumular recursos próprios para garantir a renda futura, sem depender exclusivamente da previdência pública.

previdência não é algo em que você começa a pensar aos 40 ou 50 anos; é algo que tem que acompanhar desde o primeiro dia em que a pessoa entra no mercado de trabalho