uma bolsa de sangue com perfil raro precisou cruzar o país em caráter de urgência, na cabine de um voo comercial, para atender a um paciente internado em estado grave após um procedimento de transplante renal. a coleta ocorreu em uma quinta-feira e o material chegou ao destino no dia seguinte, percorrendo o trajeto entre o ceará e juiz de fora, em minas gerais.

o que aconteceu

diante da ausência de bolsas compatíveis dentro do território mineiro, a rede de hemoterapia acionou o cnsr (cadastro nacional de sangue raro). o sistema identificou um doador compatível no ceará, que compareceu ao hemocentro para a doação. o material foi liberado com embalagem específica e controle rigoroso de temperatura para garantir a viabilidade durante o trajeto.

após a cirurgia, exames pré-transfusionais detectaram no paciente a presença do anticorpo anti-jsb, responsável por destruir glóbulos vermelhos que contêm o antígeno kel7. como a grande maioria da população possui esse antígeno, o organismo do paciente rejeita o sangue convencional, o que o classifica como portador raro. um perfil sanguíneo é considerado raro quando incide em menos de uma a cada mil pessoas testadas.

a operação logística foi realizada por meio do sistema único de saúde (sus), utilizando o acordo de cooperação técnica firmado entre o ministério da saúde e companhias aéreas. o modelo replica a eficiência utilizada no transporte de órgãos, permitindo que as bolsas viajem na cabine da aeronave com rapidez e segurança, evitando os prazos e restrições do transporte comum de cargas.

cadastro nacional

atualmente, o cadastro nacional de sangue raro conta com 2.032 doadores cadastrados e já auxiliou no atendimento de mais de 300 pacientes em todo o país. coordenado pela coordenação-geral de sangue e hemoderivados do ministério da saúde, o serviço atua na localização de doadores em diferentes estados quando os hemocentros locais não encontram compatibilidade.