A invasão dos eletrônicos na rotina dos pequenos tem tirado o sossego de pais e responsáveis em Guarulhos. Celulares, tablets e computadores viraram chupetas digitais, mas a conta dessa comodidade chega na forma de dúvidas e comportamentos preocupantes. Afinal, passar horas conectado pode desencadear o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade?
A raiz do problema e o efeito dopamina
Profissionais da saúde esclarecem que os aparelhos eletrônicos não provocam o transtorno em si, mas são perfeitamente capazes de imitar os seus sinais mais clássicos. O problema real é que o TDAH é uma condição de fundo genético e hereditário, cujas marcas aparecem logo na primeira infância e acompanham o indivíduo na escola, em casa e nos momentos de lazer.
Por outro lado, joguinhos e redes sociais inundam o cérebro com dopamina, o neurotransmissor da recompensa rápida. Quando o equipamento é finalmente desligado, o mundo real parece sem graça, gerando irritação, dispersão e falta crônica de concentração.
O uso excessivo de dispositivos digitais pode levar ao surgimento de sintomas como falta de atenção, hiperatividade, inquietação, impulsividade, ansiedade, irritabilidade, insônia e sono fragmentado, características também comuns na trajetória de desenvolvimento dos indivíduos diagnosticados com TDAH
Como separar o transtorno real do estrago digital?
Identificar a origem da falta de foco exige observação. Enquanto o transtorno genético se manifesta desde os primeiros anos de vida em diferentes ambientes e precisa de acompanhamento médico contínuo, a distração provocada por eletrônicos tem causa e efeito diretos ligados ao hábito.
A boa notícia é que um período de afastamento dos aparelhos, conhecido como desintoxicação digital e que dura de duas a quatro semanas, costuma devolver o bom humor, melhorar o sono e resgatar o foco dos miúdos em poucos dias de readequação na rotina familiar.
Limites recomendados por especialistas
Para fugir de prejuízos cognitivos, falhas de memória e noites mal dormidas, entidades médicas estabelecem diretrizes estritas de uso diário de acordo com a idade. Para menores de dois anos, a recomendação é zerada: nada de telas. Na faixa entre dois e cinco anos, o limite é de no máximo uma hora diária, sempre com supervisão de um adulto responsável.
Para crianças de seis a dez anos, o tempo permitido varia de uma a duas horas por dia. Já para os adolescentes entre onze e dezoito anos, a dose segura fica entre duas e três horas diárias, cortando o uso de sessenta a noventa minutos antes de deitar.
A recomendação de ouro para as famílias é impor barreiras rígidas, banindo os eletrônicos das refeições e estimulando atividades físicas, leitura e brincadeiras tradicionais. Se a dificuldade de concentração persistir e atrapalhar a escola ou a convivência, a busca por avaliação médica profissional é indispensável.







