Estudantes que pretendem prestar o Exame Nacional de Ensino Médio precisam redobrar a atenção na preparação para a prova escrita. A utilização de citações e referências intelectuais memorizadas previamente, conhecidas como repertório de bolso, tem provocado quedas significativas nas notas dos participantes em âmbito nacional.

O que aconteceu

A cartilha de correção do exame voltou a proibir o uso mecânico de frases prontas e trechos de autores consagrados ou da Constituição Federal que são inseridos nos textos sem relação direta com o assunto proposto. Dados oficiais mostram que a nota média na competência dois, que avalia a aplicação da estrutura dissertativo-argumentativa com repertório sociocultural, caiu 16 pontos, passando de 152 para 136 entre 2024 e 2025, retornando ao patamar de desempenho registrado em 2020.

Especialistas apontam que a queda ocorreu porque os participantes passaram a ser penalizados ao tentarem encaixar citações decoradas de forma forçada. A recomendação atual exige que o estudante compreenda a informação utilizada e demonstre como aquele conhecimento ajuda a explicar o problema abordado no exame, seja por meio de notícias, filmes, obras literárias ou acontecimentos históricos.

Não existe fórmula pronta para tirar uma boa nota na redação do Enem. O candidato precisa demonstrar capacidade de refletir sobre o tema, construir uma argumentação consistente e utilizar repertórios que realmente dialoguem com a discussão proposta.

A orientação oficial para as próximas edições esclarece que o uso de grandes autores e da legislação não está proibido, desde que haja pertinência temática e produtividade argumentativa. Exemplos avaliados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira mostram que menções legais funcionam bem quando fundamentam diretamente o assunto discutido, enquanto conexões superficiais que poderiam ser retiradas do texto sem alterar o sentido sofrem descontos na pontuação.

Como se proteger

Para evitar a perda de pontos na prova de redação, os candidatos devem abandonar a prática de memorizar frases prontas e focar no desenvolvimento de uma argumentação autêntica. A principal dica dos avaliadores é verificar se o repertório escolhido é realmente indispensável para a compreensão do argumento apresentado, garantindo que a referência dialogue de maneira profunda e lógica com o tema central da prova.