O mercado produtivo e as centrais de trabalhadores não esconderam a frustração com o ritmo adotado pelo Banco Central na condução da taxa básica de juros. Em 6 de setembro de 2017, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic em módicos 0,25 ponto percentual, derrubando o índice de 14% para 13,75% ao ano. Embora tenha marcado o quinto recuo consecutivo na taxa, a manobra foi tratada como acanhada por diversos segmentos econômicos, que esperavam um fôlego maior para aliviar o orçamento de empresas e famílias, inclusive na nossa cidade.

Indústria cobra ousadia diante da inflação controlada

A reação do setor fabril foi imediata. Representantes da indústria apontaram que o Comitê de Política Monetária exagera na cautela, ignorando o cenário de arrefecimento dos preços. Vale lembrar que a inflação acumulada até agosto de 2017 bateu em 4,22%, colada na meta de 3%. Para o setor, o juro real estimado em torno de 9% — bem acima da taxa neutra de 5% calculada pela autoridade monetária — impõe fardos desnecessários ao empresariado e aos investidores de toda a região metropolitana.

A Selic em patamar restritivo impõe um custo desnecessário à economia brasileira.

Trabalhadores e construção civil apontam barreiras ao crédito

As centrais sindicais também não pouparam críticas e classificaram o corte de 0,25 ponto como um verdadeiro balde de água fria nas perspectivas para o quarto trimestre de 2017. Na visão das entidades laborais, a lentidão na queda dos juros favorece o setor financeiro especulativo enquanto sufoca a geração de vagas e a produção. O encarecimento do crédito continua dificultando o endividamento das famílias e travando o consumo.

Do lado da construção civil, o tom foi de cobrança por constância nos ajustes. O segmento lembrou que operar com taxas de dois dígitos ao longo de 2017 estrangulou os investimentos de longo prazo. Como a atividade depende fortemente de financiamento e possui ciclos longos, a manutenção de um patamar tão elevado no Brasil, um dos maiores do planeta na época, exigiu resiliência redobrada dos empresários locais que tentavam tocar novos projetos.