O cenário econômico nacional registra novos dados sobre o mercado de trabalho que exigem atenção dos consumidores e planejadores financeiros. A taxa de população desocupada recuou para 5,2% no trimestre encerrado em setembro, atingindo o menor patamar para o período desde o início da série histórica em 2012. O levantamento foi divulgado pelo IBGE, mostrando queda em relação ao trimestre anterior, quando o índice marcava 5,4%, e ao mesmo período do ano passado, que registrava 5,6%.

O que aconteceu

A retração no desemprego veio acompanhada pelo avanço do rendimento efetivo real, que cresceu 1,7% no trimestre, enquanto a massa de rendimentos teve alta de 2%. Especialistas do setor financeiro apontam que esses números sustentam o consumo das famílias no curto prazo e marcam o quarto aumento consecutivo nos ganhos médios da população acima da inflação. A valorização do salário mínimo e negociações coletivas continuam a influenciar esse comportamento.

Por outro lado, analistas de bancos e corretoras mantêm cautela. Um mercado de trabalho considerado apertado gera escassez de mão de obra, elevando salários e os custos operacionais de empresas prestadoras de serviços. O reflexo direto ocorre nos preços ao consumidor final, dificultando o controle da inflação no setor de serviços.

O problema é que um mercado de trabalho apertado mantém a pressão sobre salários e sobre a inflação de serviços, que é a parte mais difícil de baixar

Essa pressão inflacionária restringe o espaço para o Banco Central acelerar o ritmo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, nas próximas decisões econômicas. Instituições financeiras avaliam que o país se aproxima do pico da melhoria laboral, projetando uma desaceleração gradual na abertura de postos de trabalho e estimando que a taxa de desemprego atinja 5,4% ao final de 2026 e 6,5% até o final de 2027.