Moradores e empresários que acompanham o mercado imobiliário comercial enfrentam um cenário de forte escassez de espaço e encarecimento nos aluguéis de galpões logísticos em todo o país. O avanço contínuo do comércio eletrônico e a alta procura por centros de distribuição reduziram drasticamente a oferta de imóveis disponíveis para locação, exigindo planejamento e maior investimento por parte das empresas que dependem de infraestrutura de armazenamento.

O que aconteceu

Dados divulgados sobre o terceiro trimestre de 2026 mostram que a taxa de vacância nacional de galpões caiu 0,9 ponto percentual, atingindo o patamar de 5%. Trata-se do menor nível registrado na série histórica de levantamentos do setor, iniciada em 2014. Para efeito de comparação, no período mais crítico de 2016, a taxa de espaços vazios chegou a 24,3%.

Com a oferta reduzida e a demanda superando o ritmo de entrega de novas construções, o preço médio pedido pelo aluguel disparou 13% em relação ao trimestre imediatamente anterior, alcançando R$ 32,77 por metro quadrado ao mês. No estado de São Paulo, considerado a praça mais cara do país, a média ficou em R$ 40,53 por metro quadrado mensais.

A movimentação no mercado é intensa. Somente entre julho e setembro, os inquilinos ocuparam 1 milhão de metros quadrados líquidos, volume 14% superior ao registrado no trimestre anterior. No acumulado do ano, a absorção líquida já se aproxima de 3 milhões de metros quadrados.

Para suprir essa demanda, há atualmente 2,23 milhões de metros quadrados de galpões em construção com previsão de entrega para 2026, espalhados por 13 estados. O estado de São Paulo concentra 41% desse total em obras, sendo quase a metade desse volume situada na região de Guarulhos. Outros estados que recebem novos empreendimentos são Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal.

Com a vacância média em 5%, quem precisa de espaço de qualidade terá de se antecipar, e isso já aparece nos preços. Ao mesmo tempo, o fato de quase 60% das obras estarem fora de São Paulo mostra uma malha logística que se espalha pelo país e ganha maturidade para atender o consumidor onde ele está