Dados nacionais divulgados nesta sexta-feira (16) revelam que cerca de meio milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil viviam em domicílios contemplados pelo programa Bolsa Família ao longo de 2025. O levantamento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa PNAD-Contínua.
O que aconteceu
Segundo o instituto, o país contava em 2025 com 13,1 milhões de pessoas na faixa etária de 5 a 17 anos residentes em lares com renda proveniente do programa federal, o equivalente a 34,7% da população dessa idade. Desse total de beneficiários, 4,4% estavam inseridos no trabalho infantil, somando 573 mil pessoas no ano passado. Os beneficiários do programa representaram 38,2% de todas as crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no território nacional em 2025.
Apesar do número expressivo, o estudo apontou que a redução do trabalho infantil entre 2024 e 2025 ocorreu de maneira mais intensa justamente entre os moradores de lares que recebem o auxílio. A proporção nessa parcela da população caiu de 5,2% em 2024 para 4,4% em 2025, representando um recuo de 20,1% e a retirada de 144 mil menores dessa condição no período.
Vemos que há uma redução mais acentuada do trabalho infantil nos domicílios que recebem Bolsa Família. Nesse último ano, em especial, o trabalho infantil caiu principalmente entre beneficiários do Bolsa Família
O analista da pesquisa pontuou ainda que as condicionalidades do programa, a exemplo da exigência de frequência escolar, funcionam como um mecanismo que favorece a diminuição da exploração laboral infantil. Os técnicos também destacaram que o reforço na renda familiar colabora para afastar menores do trabalho, uma vez que o rendimento médio mensal real domiciliar per capita nos lares com menores de 5 a 17 anos foi de R$ 660 em 2025, enquanto naqueles sem o benefício o valor alcançou R$ 1.990 no mesmo período.







