O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, defendeu nesta quarta-feira (21), durante a abertura do 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, a manutenção de uma estrutura de Estado voltada à proteção de aposentadorias e pensões, independentemente do resultado das próximas eleições presidenciais no próximo domingo. Para o representante da pasta, propostas de desvincular os pagamentos do INSS dos ganhos reais do salário mínimo podem empobrecer a população idosa e elevar os índices de vulnerabilidade social no país.

O que aconteceu

Durante o evento organizado pela Abrapp nesta quarta-feira, 21, o ministro apontou que os benefícios previdenciários representam a principal fonte de renda para 73% dos beneficiários brasileiros, exercendo impacto direto na coesão social e no consumo. Queiroz também mencionou os desafios na cobertura do sistema, ressaltando a necessidade de expansão da previdência complementar para alcançar novos grupos de trabalhadores.

Entre as ações da atual gestão, a pasta destacou o trabalho de saneamento de irregularidades por meio da Operação Sem Desconto, voltada a apurar fraudes em cobranças sem anuência de participantes. Segundo os dados divulgados no encontro, a atuação conjunta com auditorias e investigações da Polícia Federal resultou na devolução de cerca de R$ 3 bilhões a 5 milhões de beneficiários, além do bloqueio de R$ 6 bilhões em ativos.

Por sua vez, o presidente da Abrapp, Devanir Silva, pontuou que o envelhecimento da população e as transformações nas relações de trabalho exigem atenção redobrada para a inclusão de trabalhadores informais, autônomos, microempreendedores e profissionais que atuam por meio de plataformas digitais. O dirigente defendeu que a sustentabilidade financeira deve caminhar junto com a garantia de dignidade e redução de vulnerabilidades sociais.

A previdência social não é o problema, é a coisa mais engenhosa que a humanidade descobriu, ela é a solução.

O evento também contou com a participação de Ricardo Pena, diretor-presidente da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), e de Paulo Roberto dos Santos Pinto, secretário do regime de previdência complementar, que discutiram marcos regulatórios, resoluções recentes e a solidez do setor diante de pressões econômicas e crises ao longo dos anos.